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Falar o silêncio

A tristeza que corre nas minhas veias um pedaço de vidro que me corta os pulmões me envolve o coração como uma almofada de cardos que se contraem contra a minha pele sinto que a vida que um dia ousei dizer minha se esvai perante tudo o que não sei controlar mexo as pernas sacudo os braços mas tudo isso parece em vão eles só se mexem. eles só movimentam uma ordem que o meu pensar lhes indica. a vontade de os mexer perante uma vida não é mais que talvez um pedaço de metal corroído corroído pela ferrugem da dor saturado de água que os olhos não vertem. É talvez esse o momento da minha exaustão o momento que o corpo fica em pé E a alma cai no chão inerte. Não sei. Já nem penso Só para poder fingir que não sinto, mas finjo tão mal. Tão mal. Se um dia me encontrarem no chão, não me levantem pois encontrei paz. O corpo parou de resistir e deixou-se. Simplesmente deixou-se ficar. E se um dia o coração se desafogar, olhem me nos olhos e não me deixem amar. Amar mata, ...

Brilhos

Somos donos de nada. Temos o mundo, Brincamos com a espada, Um desejo absurdo. Animais que olham o brilho Duma pedra translúcida Acendem o rastilho De forma iludida. Pensam ganhar imortalidade Mas não ganham sequer saudade.
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Aqui

É este o meu mundo Preso nas palavras Como que por molas Escrito nas entrelinhas É aqui que a minha alma descansa É aqui que o meu ser avança No meio da minha transparência

Gota

Ás vezes, sentimos a alma cair Escorregar pelo corpo carregada. Como uma gota que se deixa ir Pelo caule de uma flor de cor avivada… Sentimos o peso da gravidade Esquecemos a cor que em nós faz espelho Fazemos do corpo um objecto velho, Quando na mais pura verdade Somos as únicas gotas que podem voar, As únicas que podem reflectir o mundo Dar-lhe um tom diferente, Não mudo, mas estridente! Esquecer as leis do medo, Fazer dele um segredo! Um segredo que já ninguém quer saber Para que o mundo seja um lugar de puro viver…

Palavras

Somos loucura em terra de paz No amor, na guerra, Somos som que se desfaz, Fragilidade que o tempo encerra. Fazemos das armas mais mortíferas Pequenas feras com espaços Que se desfazem nos olhos E se espalham pelos passos Dardos lançados sem remorsos. Águas soltas, Sem pensamento. Palavras revoltas, Partem o momento.

Nevoeiro

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Ficamos quietos sentimos o denso envolver ficamos quietos a vê-lo querer. cobre-nos as pernas não nos deixa caminhar cobre-nos as mãos ficamos sem puder gatinhar cobre-nos a boca esquecemo-nos de falar cobre-nos os olhos já há muito que não víamos os ouvidos esses, estavam esquecidos com o tempo a serpentear a passar, a morrer…. e nós a fechar os olhos, que já não viam, mesmo abertos! Envoltos num cobrir de ombros cheios de nada impregnados de ausência de movimentos que nos fazem estrada, quando devíamos ser caminhantes.