Chego a casa pouso um maço de poemas sobre a mesa velha de um quarto cansado, poemas escritos por entre as trilhas de um dia exausto, exaustos. Largo-os, agarro um pedaço de pão e vou a janela, adoro sentir o frio encher-me os ossos e lembrar-me que estou vivo. A noite fria continua a dizer-me versos que teimo em não escrever, não é o momento, ainda não. Ás vezes gostava de compreender as mudanças tão rápidas de sentimentos, de momentos e intenções, por isso pouso os poemas, não os quero ler ainda, são, são, não sei o que são. Talvez um dia perceba mais deles do que o que eles percebem de mim agora. Sinto-os cansados, cansados de me percorrerem o corpo e não acharem mais que meia dúzia de recordações, o sangue a correr nas veias e uma inquietude perante mim mesmo. Estão cansados, dizem-me todos os dias que os acordo e os faço sair a rua e gritar quem sou, eles tentam e voltam para casa, exaustos. Perdem-se sempre pelo caminho por entre as folhas perigosas que os agarram. Ainda gritam e...