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Palavras

Somos loucura em terra de paz No amor, na guerra, Somos som que se desfaz, Fragilidade que o tempo encerra. Fazemos das armas mais mortíferas Pequenas feras com espaços Que se desfazem nos olhos E se espalham pelos passos Dardos lançados sem remorsos. Águas soltas, Sem pensamento. Palavras revoltas, Partem o momento.

Nevoeiro

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Ficamos quietos sentimos o denso envolver ficamos quietos a vê-lo querer. cobre-nos as pernas não nos deixa caminhar cobre-nos as mãos ficamos sem puder gatinhar cobre-nos a boca esquecemo-nos de falar cobre-nos os olhos já há muito que não víamos os ouvidos esses, estavam esquecidos com o tempo a serpentear a passar, a morrer…. e nós a fechar os olhos, que já não viam, mesmo abertos! Envoltos num cobrir de ombros cheios de nada impregnados de ausência de movimentos que nos fazem estrada, quando devíamos ser caminhantes.

Se eu pudesse...

Se eu pudesse era poesia O meu corpo um suave poema os meus membros versos, Versos de uma alma escrita Por entre linhas sem rima.

Vida

Solta-se o tempo Como uma pena ao vento Soltam-se as palavras Como pedaços de madeira na água Tudo passa na leveza de um passo Sempre sentido, Nem sempre (com) sentido, Deixamos em cada expressão de tempo Uma fracção de gente Que fica registada com rapidez de uma monção Que aparece e desaparece num ápice Tão rápida que perdemos a noção De tudo o que fizemos, o que se disse… Deixamos para trás uma sombra Um caminho lavrado de penumbra Indefinido, perene. Por mais que tentemos subir a corrente A alma não é gente suficiente Para voltar atrás, Tudo muda, tudo se transforma Num incessante curso de vida, Que se pára, morre.

Outra vida

Chego a casa pouso um maço de poemas sobre a mesa velha de um quarto cansado, poemas escritos por entre as trilhas de um dia exausto, exaustos. Largo-os, agarro um pedaço de pão e vou a janela, adoro sentir o frio encher-me os ossos e lembrar-me que estou vivo. A noite fria continua a dizer-me versos que teimo em não escrever, não é o momento, ainda não. Ás vezes gostava de compreender as mudanças tão rápidas de sentimentos, de momentos e intenções, por isso pouso os poemas, não os quero ler ainda, são, são, não sei o que são. Talvez um dia perceba mais deles do que o que eles percebem de mim agora. Sinto-os cansados, cansados de me percorrerem o corpo e não acharem mais que meia dúzia de recordações, o sangue a correr nas veias e uma inquietude perante mim mesmo. Estão cansados, dizem-me todos os dias que os acordo e os faço sair a rua e gritar quem sou, eles tentam e voltam para casa, exaustos. Perdem-se sempre pelo caminho por entre as folhas perigosas que os agarram. Ainda gritam e...

Grito

Senta-te Coloca o teu livro à minha frente Podes gritar. É tempo de gritar! Solta a tua existência em cada corda Que se dissipa no ar Larga a revolta em cada átomo Prende a dor, rasga o calar Pousa o livro, Deixa de escrever por momentos Deixa de poupar a voz Larga os comedimentos! É tempo de gritar! Solta quem és! Deixa de estar Envolta em meios pés. Assenta firme no chão O mundo que carregas na alma Deixa de ser mera multidão E afirma-te enquanto tens força na palma. Agora podes abri-lo, Podes escrevê-lo sem copiar. Levanta-te e ensina o mundo a mudar.

Estar, ausente

Pedaços, Rompem do chão Recordação. Estilhaços. Trilho de incerto, Ter-te perto. Caminho de ausência. Tua essência. Presença, fel, Mel que queima Toque de papel Dor que teima. Voz, Ritmo acelerado Silêncio, Compasso quebrado. Final da melodia, Inicio da música Fim da fantasia. Regresso